“Para nós a importância maior não reside naquilo que se consegue, pois conseguir tudo o que queremos significaria que todos aceitassem e praticassem a anarquia, o que não será feito em um dia nem por meio de um simples ato insurrecional. O importante é o método com o qual se consegue o pouco ou o muito.”
Malatesta
“A esquerda tradicional tem sido sectária, dogmática e tem frequentemente ignorado a realidade ao seu redor. Não acredito que os anarquistas, no geral, tenham sido muito melhores. É hora de dar o exemplo. Devemos apontar para a construção de espaços de discussão e mudar os hábitos maléficos em nosso movimento, que não contribuem com o debate e que mais entorpecem o desenvolvimento do necessário espírito crítico que o movimento revolucionário tanto necessita para fazer frente às difíceis tarefas de regeneração social que temos adiante.”
José Antonio Gutiérrez Danton
Para Malatesta cada fim requer seus meios, e se lutamos por um fim diferente do sistema de dominação e exploração capitalista os meios para atingi-lo também devem ser diferentes. Nesse sentido, entendemos como ética e estilo militantes os valores que conduzem nossa prática política cotidiana, em permanente diálogo com a realidade e em coerência com nosso método e com nossa concepção de trabalho. O germe de uma sociedade mais justa, igual e livre de exploração e dominações está na maneira como atuamos no “agora”, e isso não pode ser deixado pra depois. Está na forma como nos organizamos, por meio do federalismo, da autogestão e da ação direta. Está na intenção que damos a nossas práticas e às relações nos meios social e político; com os setores populares, com outros(as) militantes e companheiros(as) e na relação entre organizações políticas. O que equivale a dizer que o estilo militante é a busca da coerência entre as práticas do(a) militante, e do conjunto da militância, com os princípios, métodos e a linha política de uma organização.

